O gelo parecia quente

Insuportáveis em demasia são 

Os paradoxos em minha mente.

Me ferem, me fazem em pedaços 

Se instalam como insurgente

Me vejo preso como em laços 

Num ritmo sem precedente.

Como diz o apóstolo:

“O bem que quero fazer não faço,

Mas o mal que não quero esse faço”.

Minhas memórias me fazem de palhaço 

Luto contra, como me desfaço?

As noites são escuras, os dias mais ainda, 

Só encontro paz no teu abraço.

(Robinson Murilo Badin)

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Paradoxum 

Se o amor não machucar 

Se faz antônimo de amar

Se o amor não sangrar 

Nada resta além de lamentar 

Se o amor não te marcar 

Pode para fora lançar 

 Se o amor não doer 

Há muito tempo deixou de ser

Se o amor só for feliz

Infelizmente é triste 

Amor é isso: nem triste, nem feliz…

É amor!

(Robinson Murilo Badin)

Paradoxum 

A falta que você faz…

Os pratos estão cheios,

Mas tenho fome.

Casacos tenho vários,

Mas sinto frio.

Água em abundância,

Mas morro de sede.

Durmo rigorosamente,

Mas estou cansado. 

Tenho sobra,

Mas ainda falta.

Multipliquei,

Sem ter nada.

Sou teatro,

Mas sem o palco.

Coleciono relógios,

Mas me perdi no tempo.

Ajustei meus óculos,

Mas não enxergo. 

Tenho dicionário,

Mas não sou koretto…

Falo demasiadamente,

Mas não sou ouvido.

Sou sorriso,

Sem alegria.

Tenho medo,

Mas morreria agora.

Joguei tempero,

Mas sumiu o sabor.

Li e compreendi,

Mas não fez sentido.

Encontrei,

Mas me perdi.

Estou seco,

Em meio à lágrimas.

Sou feito de gritos,

Só restou silêncio.

O sol está à pico,

Embora esteja em sombras.

Caminhei quilômetros,

Mas estou no mesmo lugar. 

Estou respirando 

e também em óbito.

Estou rodeado de cores,

Mas ando monocromático.

A banda ainda toca,

Mas não ouço nada.

Resumindo:

Falta você aqui!

(Robinson Murilo Badin)

A falta que você faz…