coração

sou todas as guerras num campo só

sou todas as rosas num único jardim

sou a falta daquilo que ainda sobrou

sou a sobra daquilo que foi roubado

estou flagelado

estou sem compasso

estou buscando a santidade

estou inundado em pecados

sou subversão a cada instante

sou cada instante num só flagrante

sou coração que está pulsante

(Robinson Murilo Badin)

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coração

Fogem

Oh palavras quando foges de mim

Foges de mim ou para mim

Por que não consigo achá-las

Eu que dou as costas ou vós

Não sei como se dá

Só sei que foges por meio de mim

(Robinson Murilo Badin)

Fogem

meu nome

eu sou a anti-poética dos poetas solitários

a vastidão dos corações apertados

sangue daqueles que faltam uma parte

sou escuridão que ilumina os sedentos

o frio que aquece os flagelados

sou falta por todos os lados

me desculpem a falta de solenidade

prazer! meu nome é saudade

(Robinson Murilo Badin)

meu nome

formidável

me sinto formidável enquanto meu coração sangra

enquanto perco todas as minhas formas

diante da falência completa estou formidável

meus pulmões já estão negros e continuo a fumar

durmo mais que a próprio a noite, mas estou formidável

já não vejo razão para continuar vivo, mas estou formidável

estou formidável, mas me olho e vejo apenas pedaços

(Robinson Murilo Badin)

formidável

espelhos

joguei meu espelho de cobre

o que restou foi a realidade

nua e crua, como em prata

inevitável como Belerofonte

cada golpear da realidade

alimento em lágrimas palavras tristes

queria como Quimera

que a realidade fosse

aniquilada pelas palavras

(Robinson Murilo Badin)

 

espelhos