52 Hz

o lobo solitário dos mares,

vive subvertendo os pesares.

insiste ser mistério, sem pares.

ao som da canção livre de olhares.

(Robinson Murilo Badin)

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52 Hz

estenda a sua mão

incriminou-se aquelas composições para legalizar as garras naturais

os ciclos eletro-químicos se engavetaram e assim guardaram fantasmas

demonizou-se os anjos para que os demônios corressem livres

inocentou-se os homens para que os lobos não fossem vistos

nomeamos de “alegria” pra que a vergonha não mostre peçonha

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abram seus olhos e ouçam os gritos de escravidão

em meio a eles suas mentes exalam satisfação

___

santificou-se o prazer e o santo foi chamado de opressor

acrescentou-se verdades às fabulas e a realidade virou fantasia

quem diria,

em sussurros e entrelinhas louva-se a ignorância, mas a erudição, desprezam.

temos tanto medo da morte que, paradoxalmente, desperdiçamos a vida

silenciaram o amor e colocaram em seu lugar um impostor: o “ser feliz”.

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com ouvidos atentos se inclinem e vejam o sangue derramado

todos são homicidas, levaram em vida a vida do poeta

afoitos e atravessados tentam lavar as mãos, mas a água está suja.

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escreveram livros, a banda passou, o homem ergueu a voz

mas quem resistiu em tom de triunfo foi o silêncio, solitário.

como quem persiste frente a morte em meio as ruínas da guerra

o sucesso fracassou, as riquezas se fizeram na textura de vapor

os impérios tiveram seu fim, as regras se diluíram em exceções

e as exceções viraram padrão de um regimento tão rígido,

tão denso em liberdade que tornou-se em abismo para si mesmo.

___

o rei fez um banquete, mas os nobres preferem suas rações.

___

gostaria mesmo é falar de amor, infelizmente, esse assunto é indigesto,

portanto falarei de ódio.

embora forjado em relevos ácidos, com texturas irresistíveis

bem sei que é face da mesma moeda onde reside o amor

esse tal cavalheiro é quase onipresente, aclamado por todos

tornou-se tão nobre que lhe deram vestimentas elegantes,

tão elegantes que passamos a não reconhece-lo com clareza

o “bom senso” que rotula e fomenta o preconceito, chama-se ódio     

a desistência antes do fim achando que a vida segue,

toda vez que se exclui a beleza em troca do “bem-estar”,

quando se aparta da parte, essencialmente atômica, só por trazer dor.

todas essas fétidas manobras são obras do cavalheiro ódio.

entretanto de mãos dadas com a bela dama chamada subversão,

lhes contarei um segredo, o amor é mais puro em meio a dor…

___

(Robinson Murilo Badin)

estenda a sua mão

muito prazer!

não sou um príncipe encantado montado num cavalo alado

pra dizer a verdade sou bem controverso, vivo noutro universo

circulam lendas sobre mim, ouvi-las? não, não to afim!

sou o que sou, nítido, complexo. passou, distraído, você que não olhou.

não tenho desvio de personalidade, vocês que vivem em insanidade

sou intenso, quase insuportável, contra senso, quem sabe… desejável…

sou um brilho ofuscado, uma equação sem resultado

sou calor no inverno, não sou do tempo, não sou moderno

sou completamente incompleto, feito em pedaços do chão ao teto

pareço não ter sorte, tropecei em cada esquina do sul ao norte

sou o caos em expansão, organizo toda e qualquer confusão

sou o mar para se afogar, salvo sua vida antes de te matar

ando junto com a dor, ahh quase esqueci… meu nome é amor.

[Robinson Murilo Badin]

muito prazer!

…(promet)eram…[?]

os dias são escuros como a noite

vejo a face da dor tão clara quanto o dia.

fazia frio enquanto o coração aquecia.

alma derretida e o coração na criogenia

arrancou violento o que era mania

o tempo passou, levou, faleceu

o vazio ficou, preencheu, escorreu,

nem lembro o que era eu.

mas deixou a raiz, e agora o que faço?

a ausência imobiliza, doi a cada passo…

li as canções do rei e encontrei beleza

preciso mais, morri em fraqueza.

para as cartas escritas com sangue, olhei.

me diz, tanta poesia pra soar: falhei?

me lembrei do pão nosso.

mas ainda tenho fome, posso?

tenho raiva das palavras,

pois nenhuma delas como prometido,

levou a dor que no meu coração lavras.

[Robinson Murilo Badin]

…(promet)eram…[?]