quem tem ouvidos, ouça!

perguntei ao amor se ele se sentia amado.

sua resposta foi súbita e inesperada.

pálido, disse que sentia-se desfigurado,

dentre os homens sua imagem foi arrebatada.

***

o amor é tão esquisito que redimensiona o tempo.

os critérios dos filhos de Adão jogaram ao chão,

o sensum estético se diluiu em meio ao vento

sangue nas mãos, matam o tempo, trabalham em vão.

***

aquele bom senso humano e suas teorias

teceram uma obra forjada em fantasias

secou a alma, torceu a razão, fechou o coração.

***

lhes furtou e não se entendeu,

o amor também mora em lugares

estranhos e inóspitos como eu.

***

[Robinson M Badin]

quem tem ouvidos, ouça!