tá na mesa

nossas paixões silenciaram o amor

nossos sorrisos vertiam lágrimas de sangue

a cada toque, maior se tornou o abismo

nossos sentidos nos levaram pra um lugar sem sentido

procuro o que já encontrei

estou sem as chaves de onde já morei

me pergunto aquilo que já sei

perdoado, o pescador disse: pra onde irei?

quanto mais se fita, menos se vê

a inspiração parece ter expirado

vimos a face do desespero

desejamos abraçar a morte,

pensando que levaria o peso da dor.

nos graduamos em destruir a nós mesmos.

na contra mão, com o fardo da loucura,

com uma teimosia colossal,

insisto enxergar pinceladas subversivas

de um sujeito intragável e intrigante

anunciamos ele: o paradoxo,

pouco ortodoxo, quase rebelde

suas composições varrem o universo,

e além, está onde não vemos

faz o que não podemos

colhe beleza do caos

indesejável! pensam a seu respeito.

eu vejo com outros olhos:

invencível, implacável, inevitável.

(Robinson M. Badin)

tá na mesa