a vida e a morte

éramos homens falidos, bastardos, caídos sobre si mesmos.

vitimas de nossos desejos por prazeres obscuros, escravos do totalitarismo outorgado pelo ego, desprovidos de qualquer boa causa para lutar.

de morte era preenchido nosso viver, de angustia nossos sorrisos, de desespero nossas paixões.

cheirávamos a corrupção e de corrupção eram preenchidos nossos movimentos.

mas fomos achados, envolvidos pelo esplendor, pelo brilho do sol que é a alegria dos homens.

nascidos de um novo amanhecer, apoiados nas memórias que pertencem ao amanhã. Vencemos, não pelo esforço de nossas mãos, fomos considerados heróis vestindo a capa de quem realmente estendeu a mão.

não esquecendo daquilo que éramos, para mantermos viva a relevância da memória daquilo que somos.

estávamos cegos com os olhos abertos, mas hoje passamos a enxergar com os olhos fechados.

o silencio era ensurdecedor, mas ao ouvir Tua voz minh’alma foi abraçada, pude medir o infinito, pude tocar a eternidade durante a brevidade do instante, estou morrendo a cada dia, mas desde então nunca estive tão vivo!

(Robinson Murilo Badin)

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a vida e a morte